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04/02/2022 às 19h06min - Atualizada em 04/02/2022 às 19h06min

Bolsonaro repete estigmas sobre nordestinos para ampliar cortina de fumaça, dizem governadores do NE

FÁBIO ZANINI
https://www.msn.com/pt-br/noticias
Getty

Em reação à referência preconceituosa de Jair Bolsonaro (PL) aos nordestinos nesta quinta-feira (4), o presidente do Consórcio Nordeste e governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), diz que o presidente tenta tirar a atenção do mau desempenho de seu governo.

"Presidente Bolsonaro já se referiu aos brasileiros do Nordeste como paraíbas, cabeçudos e, agora, paus de arara", lista Câmara, que lidera o consórcio que representa os governadores da região.

"Essa reiterada prática de repetir estigmas e preconceitos só contribui para manter o país dividido e ampliar a cortina de fumaça em torno de um governo que desmontou políticas públicas, desdenhou de milhares de mortes pela Covid-19 e trouxe de volta a inflação, aumentando as desigualdades. Respeite o povo do Nordeste", completa.

Durante sua live, ao comentar a revogação de mais de duas dezenas de decretos de luto oficial, Bolsonaro errou o estado de nascimento do líder religioso Padre Cícero (1844-1934) e chamou assessores de pau de arara.

"Dadas as nossas revogações, feitas há pouco tempo, falaram que eu revoguei o luto de Padre Cícero, lá de Pernambuco", disse Bolsonaro durante sua live semanal.

Na verdade, ele nasceu no estado do Ceará. O presidente também cometeu outro equívoco. Entre os decretos de luto revogados por ele, não consta o do líder religioso. ​

"É isso mesmo? De que cidade fica lá?", questionou o presidente a assessores que estavam na sala de transmissão. "Está cheio de pau de arara aqui e não sabem que cidade fica padre Cícero?"

Auxiliares, então, responderam Juazeiro do Norte e corrigiram Bolsonaro, apontando que o município fica no estado do Ceará.

O termo pau de arara refere-se aos caminhões usados na migração, em décadas passadas, de pessoas pobres do Nordeste para outras regiões do país. Ele é usado para se referir de forma depreciativa a nordestinos.


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