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21/08/2021 às 21h46min - Atualizada em 21/08/2021 às 21h46min

Afeganistão: ONG pede a Biden plano especial para retirada de jornalistas afegãos

RFI
https://www.msn.com/pt-br
AP - Rahmat Gul
A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu neste sábado (21) ao presidente dos EUA Joe Biden "um plano especial para a retirada de jornalistas afegãos", de acordo com um comunicado da organização. A RFI ouviu um jornalista afegão que está foragido, por ter recebido várias ameaças, e tenta desesperadamente deixar o país: “Os tempos estão difíceis para os jornalistas no Afeganistão desde que o Talibã tomou o poder". 
 

A RSF está exigindo "da Casa Branca um plano especial para a evacuação de jornalistas afegãos (e defensores dos direitos humanos)". Os projetos de retirada “elaborados por outros países (sobretudo europeus) são em grande parte dificultados pela gestão do acesso aos aviões”, lamenta a ONG.

“Recebemos dezenas e dezenas de pedidos de retirada urgentes, afirma Christophe Deloire, secretário-geral da RSF. O nosso problema hoje não é obter vistos ou lugares nos aviões, é fazer com que essas pessoas tenham acesso aos aviões”.

Seis dias após a tomada do Talibã em Cabul, a comunidade internacional está de fato preocupada com a retirada de milhares de afegãos, no caos mais total no aeroporto de Cabul controlado pelos militares americanos.

A RSF defende "o estabelecimento de facilidades de acesso e identificação para jornalistas e defensores dos direitos humanos que aparecem nas listas de diferentes países e organizações", bem como um "corredor humanitário e um perímetro especial".

Liberdade de imprensa

Para habilitar este dispositivo, a RSF também pede "um adiamento do fim da operação militar americana no Afeganistão para além da data atualmente agendada". "Até 31 de agosto, as evacuações de pessoas em grande perigo, como jornalistas afegãos, não podem ser materialmente concluídas."

“É a imagem dos Estados Unidos em termos de defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos que está em jogo”, disse Deloire.

 A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) afirma ter recebido "centenas de pedidos de ajuda" de profissionais da informação afegãos, a maioria mulheres, nos quais reinam o "pânico e o medo".

O Talibã, ao buscar um jornalista da Deutsche Welle (DW), agora baseado na Alemanha, matou um membro de sua família na quarta-feira e feriu gravemente outro, disse uma rádio alemã.

Depoimentos sobre as condições de trabalho de jornalistas

RFI entrevistou um ex-produtor de rádio local, que não pode ser identificado por motivos de segurança, sobre difíceis as condições de trabalho de jornalistas no Afeganistão: “Os tempos estão difíceis para os jornalistas no Afeganistão desde que o Talibã invadiu várias províncias. Fui diretor técnico de uma estação de rádio. Fomos financiados pela OTAN e transmitimos programas denunciando as atividades do Talibã. Antes de eles chegarem, eu já havia recebido ameaças. Achei que eles iriam me matar eventualmente. Seis repórteres da minha mídia foram sequestrados pelo Talibã. Felizmente eu não estava com eles naquele dia", disse. 

"Quando o Talibã invadiu a capital da minha província, fugi imediatamente de táxi. Não posso dizer onde estou agora. Deixei minha esposa e minha família para trás. Minha situação é muito crítica e não consigo alcançá-los. As linhas telefônicas não funcionam. Tentei entrar em contato com meu empregador e tentar várias maneiras de sair do Afeganistão, mas não tive sucesso. Tentei entrar para a associação que representa jornalistas. Até me inscrevi no Programa Especial de Imigração do Canadá como Jornalista Crítico. Na minha situação, não posso ir para o Paquistão, Tajiquistão ou Emirados Árabes Unidos, porque todas as embaixadas cessaram suas atividades e não emitem vistos”, continuou o jornalista foragido. 

Enxurrada de críticas

Sob uma tempestade de críticas pela retirada dos militares americanos do Afeganistão, o presidente Joe Biden defendeu na sexta-feira (20) as "difíceis" operações de evacuação em Cabul e disse que não pode garantir o "resultado final", enquanto milhares de civis tentam fugir desde que o Talibã assumiu o poder.

Os voos de saída do aeroporto de Cabul foram suspensos por várias horas devido à saturação das bases americanas no Golfo, particularmente no Catar, para onde os refugiados são inicialmente levados, admitiu um funcionário do Pentágono nesta sexta-feira.

Esta missão de evacuação é "uma das maiores e mais difíceis da história" e os Estados Unidos são "o único país capaz" de organizá-la, disse Biden em discurso na Casa Branca, no qual também anunciou que 13.000 pessoas foram retiradas do país pelos militares dos EUA desde o início das operações em 14 de agosto.

Impossibilidade de chegar ao aeroporto

O exército americano mobilizou três helicópteros ao Afeganistão para evacuar 169 americanos que não conseguiram chegar ao aeroporto de Cabul, informou na sexta-feira (20) John Kirby, porta-voz do Pentágono.

Três helicópteros Chinook deixaram o perímetro do aeroporto para ir ao hotel Baron, perto dali, onde resgataram os americanos, informou o porta-voz.

Esta é a primeira vez desde que teve início a crise afegã que o exército americano mostra sua capacidade para deixar a área segura do aeroporto a fim de resgatar pessoas que tentam fugir do país.

O grupo evacuado planejava caminhar até o aeroporto, mas a presença de uma multidão no caminho preocupou as autoridades americanas.


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