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30/07/2021 às 21h31min - Atualizada em 30/07/2021 às 21h31min

Duas pessoas são internadas em Maceió com suspeita da doença da urina preta

Redação TNH1
https://www.tnh1.com.br/
Pixabay

Duas pessoas deram entrada em um hospital de Maceió, nesta semana, com suspeita de terem contraído a Síndrome de Haff, conhecida como doença da urina preta. Elas teriam consumido peixe durante um almoço em Marechal Deodoro.

Em nota, a Prefeitura de Marechal Deodoro informou que a Vigilância Sanitária da cidade fez a interdição de pelo menos 32kg de peixes do estabelecimento em que as pessoas teriam feito a refeição, na Massagueira. 

"A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Sanitária, informa que recebeu a denúncia e já tomou todas as medidas necessárias. Ao ser comunicada do ocorrido, a Vigilância realizou a interdição cautelar de, em média, 32kg de peixes. Todo o produto está sendo submetido a uma análise através do Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas (LACEN-AL) em parceria com um laboratório especializado. O material será rigorosamente examinado e mediante o resultado do laudo, o LACEN-AL e a Vigilância Sanitária de Marechal Deodoro darão prosseguimento à investigação", diz a nota.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) afirmou que as amostras foram coletadas e estão em análise.

"A Gerência do Laboratório Central de Alagoas (Lacen/AL) informa que recebeu as amostras do pescado coletadas pela Vigilância Sanitária de Marechal Deodoro e que está em processo de análise. Ressalta, entretanto, que não há um prazo determinado para conclusão, uma vez que o processo requer minucioso estudo para comprovar ou descartar a presença da toxina proveniente de algas marinhas no pescado analisado, que podem ou não ter provocado os casos suspeitos de Síndrome de Haff, conhecida como doença da urina preta", comunicou a Sesau em nota. 

O infectologista doutor Fernando Maia explicou o que causa a doença e esclareceu o que deve ser feito para que a população tenha cuidado ao consumir os alimentos. 

"Essa doença vai causar alteração muscular, fraqueza muscular, porque a toxina atua exatamente nos músculos. Ela causa uma inflamação muscular, que solta uma substância no sangue chamada mioglobina. Essa mioglobina ao tentar ser eliminada pelos rins causa lesão renal. O paciente geralmente cursa com dor no corpo e a urina fica logo muito escura, se deixar evoluir, a urina começa a ficar com a quantidade diminuída por causa da lesão renal. Então, se você consumiu peixe nas últimas horas ou últimos dias, começou a ter dor muscular e a urina começou a ficar muito escura, é importantíssimo procurar o serviço de urgência o mais rápido possível para que se possa fazer o diagnóstico correto e iniciar o tratamento correto também". 

Ainda de acordo com o infectologista, mesmo que o fruto do mar seja bem cozido, isso não impede que a toxina seja eliminada caso o alimento esteja contaminado. 

"O alimento não sofre nenhuma alteração nem na cor e nem no gosto, não dá para saber olhando para o alimento se ele está contaminado ou não. Outra coisa importante: o cozimento não elimina a toxina. Mesmo que o peixe seja bem cozido, isso não elimina a toxina. A orientação é não consumir peixe que é pescado aqui na beira do litoral, o ideal nesta fase é apenas que se consuma peixe que é pescado em alto mar, que não haverá esse problema". 

Síndrome de Haff

A doença de Haff está associada à ingestão de crustáceos e pescados e o principal sintoma é o escurecimento da urina, que chega a ficar da cor de café. A síndrome pode evoluir rapidamente: os primeiros sintomas surgem entre 2 e 24 horas após o consumo de peixe, e causa, principalmente, a ruptura das células musculares.


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