Mesmo após a forte repercussão negativa provocada por suas declarações sobre o voto feminino, o neto de ditador Paulo Figueiredo voltou a defender a tese de que as mulheres votam pior do que os homens. Em uma nova manifestação nas redes sociais, ele utilizou o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos para tentar sustentar seu argumento.
“Eu não vou falar nada. Só quero que vocês observem a diferença de 19 pontos entre o voto dos homens (+4 em republicanos) e o voto das mulheres americanas (+15 democratas) e tirem cada um as suas conclusões. Dá para fazer a mesma avaliação de outros grupos demográficos”, afirmou o jornalista foragido nos EUA.
Michelle Bolsonaro
A nova declaração ocorre poucos dias depois de o influenciador afirmar, durante uma transmissão ao vivo, que “mulher vota estatisticamente muito mal”, sobretudo as solteiras. Na ocasião, ele alegou que mulheres casadas costumam acompanhar o voto dos maridos, enquanto as solteiras tenderiam a fazer escolhas equivocadas nas urnas. Apesar de afirmar que sua análise era baseada em estatísticas, ele não apresentou estudos científicos ou pesquisas acadêmicas que comprovassem essa conclusão.
As declarações surgiram em meio a críticas dirigidas por Figueiredo à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro . O influenciador questionou a atuação do PL Mulher e criticou um vídeo em que Michelle afirmou ter sido “humilhada” e “apunhalada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para ele, a exposição pública do conflito prejudicaria a imagem do parlamentar junto ao eleitorado feminino.
Repercussão
A fala provocou reações imediatas no meio político. O próprio Flávio Bolsonaro teve que se manifestar contra a declaração do aliado, classificando a generalização como equivocada. Em resposta, Figueiredo disse que o senador agiu corretamente ao repudiar a frase por conveniência política, mas reafirmou que continua convencido de sua posição.
A senadora Soraia Thronicke também criticou duramente as declarações, enquanto a ministra Simone Tebet afirmou que esse tipo de discurso representa uma visão incompatível com a democracia, por sugerir que apenas determinadas pessoas teriam capacidade para exercer o direito ao voto.
Mesmo diante das críticas de aliados e adversários, Paulo Figueiredo manteve o discurso e voltou a usar dados eleitorais dos Estados Unidos como argumento para sustentar a tese de que mulheres, especialmente as solteiras, votariam de forma estatisticamente inferior aos homens.