(Goleada do Lula) - Lula bate 61% sobre Flávio Bolsonaro em plataforma de apostas proibida usada por bolsonaristas

“Vocês estão achando que o pior foi a derrota de hoje?”, debochou Rodrigo Constantino, que abandonou a campanha de Flávio Bolsonaro, ao divulgar dados da plataforma Polymarket sobre as eleições no Brasil.

Por Por: Diego Feijó de Abreu
5 Min

Lula - Lula e Flávio Bolsonaro, com Donald Trump (Ricardo Stuckert PR / Divulgação)

Lula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a 61% de probabilidade na Polymarket sobre a eleição presidencial de 2026, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 23% no mesmo mercado de apostas políticas usado por perfis bolsonaristas como termômetro eleitoral quando o senador estava à frente.

Vcs estão achando que o pior foi a derrota de hoje? https://t.co/K60wxCNr7r

— Rodrigo Constantino (@Rconstantino) July 5, 2026

O dado foi divulgado pela própria Polymarket no mercado “Brazil Presidential Election” e repercutido por Rodrigo Constantino, comentarista de direita, em tom de deboche contra Flávio. “Vocês estão achando que o pior foi a derrota de hoje?”, escreveu ele ao compartilhar o placar.

Lula dispara na Polymarket e vira o jogo contra Flávio Bolsonaro

A virada tem peso político porque o bolsonarismo tentou transformar a Polymarket em argumento contra pesquisas eleitorais quando Flávio Bolsonaro chegou a aparecer à frente de Lula na plataforma. Em abril e maio, perfis de direita espalharam prints com o senador como favorito e trataram o mercado preditivo como sinal de força eleitoral da extrema direita.

Flávio Bolsonaro, está em ascensão no @Polymarket e agora é o favorito para vencer a eleição presidencial brasileira deste ano, com 43% contra 38% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Bora @FlavioBolsonaro pic.twitter.com/VAHZqg5FX3

— Luli (@crisdemarchii) April 30, 2026

No Polymarket, Flávio Bolsonaro subiu e Zema caiu? O BOLSONARISMO está cada vez mais forte e com maturidade.😎
Oportunistas indicados pelo nikolas, NÃO PASSARÃO!#FlavioBolsonaro22🇧🇷 pic.twitter.com/z9lDI6E2TX

— João 8:32 🇧🇷 2️⃣2️⃣ (@joao8_32_JB) April 30, 2026

Um desses posts celebrava Flávio Bolsonaro “em ascensão” na Polymarket e dizia que ele era “favorito” para vencer a eleição, com 43% contra 38% de Lula. Outro afirmava que “o bolsonarismo está cada vez mais forte” ao comentar a alta do senador na plataforma.

Agora, o mesmo mercado usado como vitrine pela base bolsonarista mostra Lula isolado na liderança. Na consulta desta segunda-feira (6), a diferença entre o presidente e Flávio Bolsonaro chegou a 38 pontos, com Renan Santos, do MBL, em terceiro lugar, na casa de 10%.

Polymarket foi barrada no Brasil para apostas políticas

A Polymarket não é pesquisa eleitoral. A plataforma funciona como mercado de previsão, no qual usuários compram e vendem posições sobre eventos futuros. O preço de cada contrato indica uma probabilidade implícita, que muda conforme o dinheiro entra ou sai do mercado..

No Brasil, esse tipo de operação foi alvo de restrição regulatória.A Nota Técnica SEI nº 2958/2026/MF, da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, afirma que plataformas de mercados de previsão operam por meio de apostas sobre eventos binários e cita Kalshi e Polymarket entre as mais conhecidas no cenário internacional.

O documento sustenta que esses mercados apresentam aderência ao conceito de aposta de quota fixa quando envolvem evento futuro, risco financeiro do usuário e expectativa de prêmio. A nota recomenda o bloqueio do acesso por brasileiros a plataformas que ofertem contratos de eventos reais em temas esportivos e outras áreas sem natureza econômico-financeira.

A restrição também foi reforçada pela Resolução CMN nº 5.298, do Conselho Monetário Nacional, que veda a oferta e a negociação no país de contratos derivativos vinculados a eventos políticos, eleitorais, sociais, culturais e de entretenimento quando não representarem referencial econômico-financeiro.

Base bolsonarista usou a Polymarket como termômetro

A mudança de cenário expõe uma contradição na narrativa bolsonarista. Quando Flávio Bolsonaro aparecia em vantagem, a plataforma era apresentada por perfis da direita como um indicador de que o senador teria ultrapassado Lula na corrida presidencial. Quando Lula passou a liderar com folga, o entusiasmo desapareceu e o dado virou munição contra o próprio campo conservador.

As postagens antigas mostram que a Polymarket não entrou no debate público apenas como curiosidade financeira. Ela foi usada como peça de propaganda digital para sustentar a ideia de que Flávio Bolsonaro seria o nome mais competitivo da oposição, mesmo sem metodologia de pesquisa eleitoral e mesmo após o bloqueio regulatório no Brasil.

No Polymarket, aliás, Parabéns Flávio Bolsonaro, DISPARA no ranking de apostas e ultrapassa o petista Mula, 43% Flávio e Mula 38%. Fora Lula Viva Glória Deus Veto PL da Dosimetria Fora Alcolumbre
Panelaço pic.twitter.com/yy6cJ6IEh3

— Paulo Dupont (@Paulo_Dupont) April 30, 2026

🇧🇷 ATENÇÃO: Governo Lula proíbe Polymarket e Kalshi de oferecer apostas esportivas e políticas. Regras aprovadas no CMN vetam ganhos com previsões sobre eleições e jogos esportivos, que estão entre os grandes negócios desses sites.
🗞️ @folha pic.twitter.com/qLKgiJtmls

— Central da Direita 🇧🇷 (@CentralDireitaB) April 24, 2026

Fórum mostrou queda de Flávio após caso Banco Master

A queda de Flávio Bolsonaro na Polymarket acompanha o desgaste político do senador após as revelações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Fórum mostrou que Flávio despencou em casa de aposta depois da divulgação de áudios relacionados ao banqueiro.

O movimento também dialoga com pesquisas eleitorais recentes.Fórum mostrou que Lula abriu mais de 10 pontos sobre Flávio Bolsonaro na AtlasIntel/Bloomberg , em levantamento divulgado no início de julho.

A Polymarket não substitui pesquisa, campanha nem urna. Mas o novo placar tem efeito político porque atinge a direita no próprio terreno simbólico que ela tentou usar. A plataforma que bolsonaristas exibiam quando Flávio Bolsonaro aparecia à frente agora mostra Lula com 61% e o senador do PL travado na casa dos 23%.