SOS MACEIÓ - A CIDADE DAS DUAS FACES ENTRE A ILUSÃO DO INSTAGRAM E O ABANDONO REAL

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Reprodução / Montagem

A crise do lixo em Maceió ultrapassa o problema estético. Trata-se de uma violação direta das diretrizes ambientais. O descarte e a falta de coleta regular ameaçam os ecossistemas locais, incluindo as lagoas e a própria orla que a cidade tanto usa como cartão-postal digital.

Enquanto o tribunal da internet aplaude os fogos de artifício e os shows lotados, a vida real cobra o preço de uma cidade abandonada pela própria gerência. A população, agora, espera que a mesma energia gasta na produção de conteúdos digitais seja aplicada no cumprimento das obrigações básicas de uma prefeitura: limpar a cidade, respeitar o seu povo e provar que a competência vai além dos Stories de 15 segundos.

MASSAYÓ — Atrás dos filtros de saturação elevada, dos palcos milionários iluminados por LED e dos vídeos institucionais que vendem Maceió como o "paraíso das águas" no Instagram, a realidade que se desenha no chão da capital alagoana é de abandono. Enquanto as redes sociais da gestão municipal ostentam recordes de público e gastos estratosféricos no São João Massayó, a população da periferia — e até de bairros centrais — convive com o mau cheiro, o lixo acumulado e a nítida sensação de desamparo administrativo.

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Montagem com imagens de acumulo de lixo nas ruas de Maceió

O contraste é violento. Nas telas dos smartphones, o que se vê é uma cidade vibrante, que investe milhões de reais em cachês para artistas de renome nacional sob a justificativa de fomentar o turismo e a economia local. Nas calçadas, porém, o cenário é de desrespeito às diretrizes básicas de meio ambiente e saúde pública. Sacos de lixo rasgados, entulhos que se acumulam há dias e a proliferação de vetores de doenças dão o tom de uma Maceió que, longe dos holofotes, parece ter sido "entregue às baratas".

O "Marketing de Vitrine" e as Pretensões Políticas

A atual administração parece sofrer de um apagão de postura gerencial. O suposto argumento de bastidores de que a gestão anterior "minou o tacho" — deixando as finanças ou os contratos de coleta urbana deficitários — já não se sustenta como justificativa para a inércia. Para o cidadão que paga seus impostos, a transição de governo não pode servir de escudo para a falta de saneamento e limpeza urbana.

Essa aparente incapacidade administrativa acende um sinal de alerta que ecoa nos bastidores políticos de Alagoas. Diante de um cenário onde o básico é negligenciado em favor do espetáculo digital, a pergunta que começa a ecoar entre eleitores e analistas é inevitável: quem não conseguiu administrar ou causou - Ex-prefeito JHC - a crise do lixo da capital, terá a capacidade de governar o estado?

"A prefeitura governa para o feed do Instagram, mas esquece que as pessoas vivem no mundo real, onde o lixo acumula e o saneamento não existe", desabafa um morador que prefere não se identificar.

Especialistas em gestão pública apontam que a priorização de eventos festivos em detrimento de serviços essenciais reflete uma política de "vitrine". Cria-se uma ilusão de prosperidade e eficiência que atrai curtidas, mas que desmorona na primeira chuva ou na rotina diária de quem precisa caminhar desvencilhando-se de lixões a céu aberto. O uso da máquina da capital como trampolim político esbarra, agora, na insatisfação que cheira mal nas esquinas.

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Desrespeito Ambiental

A crise do lixo em Maceió ultrapassa o problema estético. Trata-se de uma violação direta das diretrizes ambientais. O descarte e a falta de coleta regular ameaçam os ecossistemas locais, incluindo as lagoas e a própria orla que a cidade tanto usa como cartão-postal digital.

Enquanto o tribunal da internet aplaude os fogos de artifício e os shows lotados, a vida real cobra o preço de uma cidade abandonada pela própria gerência. A população, agora, espera que a mesma energia gasta na produção de conteúdos digitais seja aplicada no cumprimento das obrigações básicas de uma prefeitura: limpar a cidade, respeitar o seu povo e provar que a competência vai além dos Stories de 15 segundos.

Por: Jornalista Marcos Souza

*O texto acima não representa necessariamente a opinião do portal deolhoalagoas.com.br*

FONTE: deolhoalagoas.com.br