A crise administrativa enfrentada pela Prefeitura de Maceió voltou ao centro dos debates políticos após denúncias envolvendo atrasos milionários nos pagamentos de empresas terceirizadas responsáveis por serviços essenciais da capital. O cenário, segundo parlamentares da oposição, já provoca reflexos diretos na coleta de lixo, manutenção de equipamentos públicos e no pagamento de trabalhadores vinculados às prestadoras de serviço.
Durante sessão plenária da última quarta-feira(27) na Câmara Municipal, o vereador Galba Netto(PL) abordou o tema cobrando informações detalhadas sobre os débitos acumulados pela gestão municipal junto às empresas que atuam na limpeza pública e em outros setores estratégicos. As denúncias apontam que fornecedores responsáveis por serviços em Maceió ainda não receberam valores referentes ao mês de fevereiro de 2026, com o passivo total já se aproximando dos R$ 40 milhões.
Em sua fala, Galba Netto (PL) demonstrou preocupação com a situação que, segundo ele, caminha para um cenário de “rombo milionário”, comprometendo diretamente a continuidade dos serviços públicos. De acordo com o parlamentar, empresas terceirizadas relatam dificuldades para manter as operações devido à falta de repasses financeiros por parte da Prefeitura de Maceió.
Eu quero trazer os tópicos desse requerimento que eu vou apresentar em plenário amanhã, já com encaminhamentos para alguns outros órgãos de fiscalização e controle, que também são importantes no fortalecimento da nossa atividade fiscalizatória. É um cenário preocupante. Sem contar a questão do contrato da iluminação pública, que já gera em torno de R$ 200 milhões em dívidas. E ainda existe a situação da Previdência, sobre a qual não vamos aprofundar neste momento porque ainda estamos aguardando as informações oficiais”, declarou o parlamentar.
Entre os casos citados está o da Viambiental, que, conforme denunciado em plenário, acumula elevado saldo a receber do município. No centro do furacão, a Naturalle também teria pagamentos pendentes referentes aos meses de fevereiro, março e abril. O atraso, de acordo com os relatos, também impacta os trabalhadores da limpeza urbana, que enfrentam incertezas salariais e condições precárias para manter as atividades.
A recente mobilização dos garis também entrou na pauta das discussões. Para os vereadores, a reivindicação da categoria é legítima e evidencia o desgaste provocado pela falta de planejamento financeiro da administração municipal.
Outro ponto que chamou atenção foi a situação das academias públicas ao ar livre. Equipamentos instalados em diversos bairros da capital começaram a ser recolhidos por falta de pagamento às empresas responsáveis pela manutenção e locação das estruturas, ampliando a sensação de abandono em espaços públicos da cidade. Um exemplo dessa ação foi bastante divulgada nas redes sociais e portais de notícias, por moradores do Conjunto Graciliano Ramos, parte alta da capital.
Relacionado:
As críticas à gestão aumentaram diante do contraste entre o atraso nos serviços essenciais e os investimentos anunciados pela Prefeitura para os festejos juninos recheados de questionamentos relacionados aos altos cachês destinados às atrações artísticas enquanto setores básicos da administração enfrentam dificuldades financeiras e operacionais.
Enquanto a população convive com lixo acumulado, equipamentos públicos deteriorados e denúncias de atraso salarial, a oposição promete ampliar a fiscalização sobre os contratos e gastos do Executivo municipal. O clima nos bastidores políticos é de pressão crescente diante do que podemos classificar como uma autêntica desordem administrativa em Maceió
Seguimos acompanhado.
Ror: Jornalista Marcos Souza