"FANTOCHE E MENTIROSO" - A Maceió que o feed não mostra: professores cobram valorização e respostas da gestão municipal
Gestão JHC e o banco MÁSTER não foram esquecidos
Reprodução/Montagem
Entre filtros, reels ensolarados e vídeos de inauguração em câmera lenta, existe uma Maceió que dificilmente aparece no Instagram oficial da prefeitura. Nessa quarta-feira (13), servidores da educação ocuparam a frente da prefeitura de Maceió para cobrar aquilo que, segundo a categoria, virou artigo de luxo na gestão municipal: diálogo, valorização e respeito.
O protesto reuniu professores e lideranças sindicais indignados com perdas salariais acumuladas e promessas que, segundo eles, ficaram estacionadas no roteiro eleitoral. A categoria denuncia uma defasagem salarial que pode chegar a 54%, cenário que colocaria Maceió entre as piores remunerações do Nordeste para profissionais da educação.
No ato, o atual prefeito Rodrigo Cunha foi pressionado a apresentar respostas sobre reajustes, plano de cargos e carreira e a condução da política educacional do município. Já o ex-prefeito JHC, hoje em movimento de pré-campanha ao governo estadual, também virou alvo direto das críticas.
Em meio aos gritos e palavras de ordem, manifestantes entoaram frases que deram o tom do desgaste político:
“E o Rodrigo Cunha, o que é que ele é? É fantoche, é fantoche!”
“E o JHC, o que é que ele é? Mentiroso, mentiroso!”
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As palavras ecoaram entre cartazes que denunciavam sucateamento, abandono da educação municipal e falta de compromisso com os servidores.
Outro ponto que inflamou os protestos foi a cobrança de explicações sobre os R$ 117 milhões do Iprev aplicados no Banco Master durante a gestão anterior. Sindicalistas afirmam que o caso precisa ser esclarecido com transparência, especialmente diante da crise de confiança instalada entre os servidores.
Para os professores, o problema vai além do salário. A mobilização expõe um sentimento crescente de desvalorização profissional e abandono estrutural da educação pública. Enquanto a propaganda institucional vende uma cidade moderna e conectada, educadores afirmam enfrentar salas superlotadas, carreira estagnada e ausência de políticas efetivas de valorização.
A manifestação dessa quarta-feira(13) escancarou um recado político difícil de esconder com edição de vídeo e trilha motivacional: sem investimento em educação e respeito aos profissionais, não há marketing capaz de sustentar a narrativa de gestão eficiente.
Portanto, continuar ignorando os profissionais da educação, tratando suas pautas com silêncio administrativo e desdém político, certamente não parece postura compatível com quem pretende - (Até então, ainda é pré-candidato) - se apresentar à população como postulante ao cargo de governador do Estado. Educação pública não se sustenta com propaganda, slogans ou redes sociais bem editadas, mas com valorização concreta daqueles que diariamente mantêm as salas de aula funcionando, apesar das dificuldades.
Os protestos dessa quarta-feira(13) reforçam que professores e servidores não reivindicam privilégios, mas respeito, transparência e cumprimento de direitos. Em uma capital marcada por desigualdades históricas, enfraquecer a educação pública significa aprofundar ainda mais os problemas sociais que a própria gestão afirma querer combater.
Seguiremos atentos aos fatos e aos próximos episódios envolvendo a educação municipal, seus profissionais, suas pautas e as respostas dos agentes políticos provocados pela categoria. Da mesma forma, permanecem sob observação os questionamentos acerca do suposto envolvimento em transações relacionadas ao Banco Master e à aplicação de recursos do Iprev durante a gestão anterior, tema que continua cercado de cobranças por esclarecimentos e transparência pública.
Por: Jornalista Marcos Souza