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Evangélicos se organizam em apoio a Lula

Representantes de movimentos evangélicos de todo o Brasil articulam apoio à reeleição de Lula e defendem uma presença cristã comprometida com democracia, justiça social e combate ao extremismo religioso ligado ao bolsonarismo

Por Por: Zé Barbosa Junior
4 Min
Evangélicos se organizam em apoio a Lula
- Reprodução de parte da capa da cartilha evangélica do PT

De olho nas eleições presidenciais de 2026, lideranças evangélicas de diversas regiões do país deram um passo importante na construção de uma articulação nacional de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em reunião realizada nesta semana, representantes de movimentos históricos, coletivos de mulheres, organizações negras evangélicas, grupos ligados à defesa da democracia e setores inter-religiosos debateram estratégias de mobilização, comunicação e organização política junto ao segmento evangélico brasileiro.

O encontro contou com a presença de dezenas de lideranças nacionais e estaduais e teve participação da coordenação da pré-campanha de Lula, representada pelo ex-ministro Gilberto Carvalho. A abertura ficou a cargo do pastor e deputado federal Henrique Vieira, que realizou a oração inicial.

A reunião marcou a tentativa de consolidar uma frente evangélica organizada para disputar espaço político e simbólico dentro do campo religioso, historicamente associado nos últimos anos ao bolsonarismo e às pautas da extrema direita. O objetivo declarado do grupo é mostrar que o universo evangélico brasileiro está longe de ser homogêneo e que há setores significativos comprometidos com a democracia, os direitos humanos, a justiça social e o combate à desigualdade.

Participaram da articulação representantes de movimentos tradicionais como o Movimento Evangélico Progressista (MEP), a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Cristãos Contra o Fascismo, Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), Movimento Brasil Laico, além de coletivos periféricos, organizações de mulheres evangélicas, grupos de negros e negras evangélicos e lideranças comunitárias espalhadas pelo país.

O encontro também explicitou a crescente disputa narrativa dentro das igrejas evangélicas. Nos últimos anos, o bolsonarismo consolidou forte presença no segmento por meio de lideranças alinhadas ao fundamentalismo moral e religioso e a pautas de extrema direita. Pastores influentes transformaram púlpitos em espaços de militância política, frequentemente associando a esquerda a discursos antirreligiosos.

Em contraposição, os grupos reunidos agora defendem que a fé cristã, na verdade, dialoga com valores como solidariedade, combate à fome, inclusão social, defesa da democracia e direitos humanos. A estratégia apresentada busca justamente romper a ideia de que o apoio evangélico ao ex-presidente Jair Bolsonaro representa a totalidade do pensamento evangélico nacional.

Uma das principais preocupações apresentadas foi a construção de canais permanentes de comunicação capazes de combater fake news e aproximar as ações do governo federal do cotidiano das comunidades evangélicas. Entre as propostas discutidas estão a elaboração de cartilhas com linguagem bíblica e popular, fortalecimento da presença nas redes sociais, criação de materiais de formação política e aproximação com mídias evangélicas.

A reunião também serviu para definir uma estrutura organizativa nacional. Foi aprovada a criação de um Grupo de Trabalho Nacional que ficará responsável pela coordenação política da articulação. A proposta prevê a formação de GTs regionais, estaduais e municipais, além da criação de um núcleo específico de Cristãos Evangélicos no Exterior.

A presença feminina teve destaque nos debates. Lideranças defenderam que mulheres evangélicas ocupem espaço central na construção política do movimento, especialmente mulheres negras, periféricas e historicamente invisibilizadas dentro das estruturas religiosas tradicionais.

Ao final do encontro, os participantes definiram que o coletivo atuará como representação do campo evangélico na campanha de reeleição de Lula. A coordenação nacional ficou composta por representantes de diferentes organizações religiosas e movimentos sociais ligados ao segmento.

A avaliação entre os organizadores é que existe um contingente expressivo de evangélicos que não se identifica com o extremismo político nem com o fundamentalismo religioso que marcou parte da atuação bolsonarista nos últimos anos. Para essas lideranças, a disputa eleitoral de 2026 também será uma disputa moral, simbólica e religiosa dentro das igrejas.

Mais do que apoio eleitoral, o movimento pretende construir presença política permanente no campo evangélico brasileiro, buscando consolidar uma identidade cristã comprometida com democracia, justiça social e direitos humanos.

A reunião desta semana, segundo os participantes, representa apenas o primeiro passo de uma articulação nacional que pretende ganhar força nos próximos meses e ampliar a visibilidade de um setor evangélico que, embora menos midiático do que os grandes líderes conservadores, possui presença crescente em comunidades populares, movimentos sociais e espaços de defesa da cidadania.


FONTE: https://revistaforum.com.br
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