Fim da escala 6×1: trabalhadores tomam as ruas e pressionam o Congresso em todo o país
Manifestações para pressionar o Congresso Nacional a votar o fim da escala 6x1 foram registradas em diferentes estados brasileiros
Ato pelo fim da escala 6x1 em São Paulo - Foto: Roberto Sungi/AtoPress/Folhapress
Convocados por partidos políticos, movimentos sociais e centrais sindicais, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), milhares de pessoas tomaram as ruas em diferentes partes do país, nesta quarta-feira (15), em manifestações pelo fim da escala 6×1.
O objetivo das manifestações, que devem marcar o início de uma intensa onda de protestos, é pressionar o Congresso Nacional a votar alguma das propostas em tramitação que prevê o fim do modelo de jornada com 6 dias de trabalho e apenas um dia de folga na semana.
Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, , que enviou à Câmara, esta semana, um projeto de lei em regime de urgência que prevê o fim da escala 6×1, realizou um encontro no Palácio do Planalto com representantes das centrais sindicais, que participaram da marcha da classe trabalhadora em Brasília. Na ocasião, foi apresentada ao governo uma pauta com 68 reivindicações.
Lula destacou que o momento exige esforço político para aprovação de medidas no Legislativo. “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, disse.
Durante o evento, o presidente homenageou o ativista Rick Azevedo, do movimento Vida Além do Trabalho, associado à pauta da redução da jornada. Azevedo relatou ter enfrentado burnout e depressão após rotina intensa de trabalho.
Veja vídeos das manifestações pelo fim da escala 6×1
✊🏽 A PAULISTA É DO POVO!
— Fernanda Melchionna (@fernandapsol) July 11, 2025
Milhares tomaram a Avenida Paulista em um grande ato por dignidade, justiça social e direitos trabalhistas. Pelo fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho, a taxação dos super ricos e essa retaliação política de Trump contra o Brasil — medidas… pic.twitter.com/4Na4RFaiiA
🚨 AGORA: Trabalhadores ocupam a Avenida Paulista e protestam pelo fim da escala 6x1
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) April 15, 2026
Trabalhadores de São Paulo realizaram uma manifestação na Avenida Paulista nesta quarta-feira (15), pedindo o fim da escala 6x1. O ato reuniu participantes que defendem mudanças na jornada de… pic.twitter.com/5R7tOhcdua
Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por PT - Partido dos Trabalhadores (@ptbrasil)
Nas ruas, com quem constrói o Brasil! 💪🚩 Hoje estive na histórica marcha das centrais sindicais em defesa do fim da escala 6x1, e que energia incrível!
— Jandira Feghali 🇧🇷🚩 (@jandira_feghali) April 15, 2026
Caminhei lado a lado com trabalhadoras e trabalhadores, ouvi suas histórias, compartilhei abraços e registrei esse momento… pic.twitter.com/MyskSZcIwF
Ao lado dos representantes da classe trabalhadora brasileira, participei, em Brasília, do ato pela luta da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. A missão dada pelo presidente Lula é da aprovação deste projeto ainda no primeiro semestre, e é junto do povo que… pic.twitter.com/fVN0S0Oart
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) April 15, 2026
INIMIGOS DO POVO! 📢 Nossa assessoria esteve no ato realizado pelo Movimento VAT SC e MTST na manhã desta quarta-feira (15), em Florianópolis, pelo fim da escala 6x1 sem redução de salário. Manifestantes expuseram deputadas e deputados do PL que são contra a proposta.
— Carla Ayres (@carlaayres) April 15, 2026
Santa… pic.twitter.com/9JbJ5OjuOW
🚨MANIFESTAÇÃO: Movimento dos Trabalhadores Sem Teto do RJ ocupa Shopping Leblon em ato contra escala 6x1
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) April 15, 2026
O MTSTRJ realizou uma ocupação no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, em protesto contra a escala de trabalho 6x1. O grupo afirmou que o ato foi um recado à elite e aos… pic.twitter.com/c9hzaBwmcI
Saiba tudo sobre os projetos pelo fim da escala 6×1
Nesta terça-feira (14), o governo Lula (PT) intensificou a mobilização pelo fim da escala 6×1 ao apresentou um projeto de lei para o Congresso Nacional que acaba com a escala e também reduz a jornada de trabalho sem diminuir salários.
O movimento pelo fim da escala 6×1 ganhou forte repercussão nos últimos dois anos com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e já mobiliza sociedade civil e políticos em torno do fim da escala 6×1. O tema, agora, se tornou uma das principais pautas do governo Lula durante seu último ano de mandato.
Além da proposta do governo federal, também tramitam no Congresso duas PECs, uma apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, e uma apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), com o mesmo objetivo de acabar com a escala 6×1. Entenda a diferença entre as três propostas.
As duas propostas em debate
Protocolada em fevereiro de 2025, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025 foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) através da mobilização do Movimento Vida Além do Trabalho.
No texto, a deputada propõe a diminuição da duração do trabalho para 36 horas semanais, com jornada de quatro dias por semana, mas mantendo as oito horas diárias. Atualmente, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) prevê jornadas de oito horas diárias, mas 44 horas semanais. Portanto, a proposta pede o fim da escala 6×1 e a implementação da escala 4×3.
A outra PEC em discussão, do deputado Reginaldo Lopes, é mais antiga e foi apresentada em 2019. A proposta também prevê uma jornada de 36 horas, com 8 horas diárias, mas não define uma escala específica. A escala, de acordo com o projeto, seria definida mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. O texto também prevê que o período de transição seria de 10 anos.
Já a proposta apresentada pelo governo, apesar de também exigir o fim da escala 6×1, prevê a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, com o novo padrão de escala sendo o 5×2.
De acordo com o texto, a proposta abrange domésticos, comerciários, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais. Além disso, o limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados.
Ao apresentar o projeto ao Congresso, o presidente Lula destacou: “Hoje é um dia importante para a dignidade da família, de quem constrói o Brasil todos os dias. Encaminhei ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, um projeto de lei que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais. E, importante, sem qualquer redução no salário.”
“A proposta devolve tempo aos trabalhadores e trabalhadoras: tempo para ver os filhos crescerem, para o lazer, para o descanso e para o convívio familiar. Um passo para um país mais justo e com mais qualidade de vida para todos”, acrescentou o presidente.
Diferença do projeto do governo para as PECs
Apesar das PECs e do PL terem o mesmo objetivo, acabar com a escala 6×1, as propostas possuem algumas diferenças, como:
PEC 8/2025
- Jornada de trabalho de 36 horas semanais, 8 horas diárias com escala 4×3;
- Longo prazo de tramitação no Congresso Nacional e cerca de um ano para implementação;
- Altera a Constituição.
PEC 221/2019
- Jornada de trabalho de 36 horas semanais, com 8 horas diárias mas sem definição sobre a escala;
- Período de transição de 10 anos;
- Altera a Constituição
PL
- Jornada de trabalho de 40 horas semanais, com escala 5×2;
- Tramitação em regime de urgência;
- Implementação imediata após aprovação no Congresso Nacional;
- Altera a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Trâmite da proposta
As PECs pelo fim da escala 6×1 estão em tramitação na Câmara dos Deputados e seriam analisadas juntas nesta quarta-feira (15) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) , mas parlamentares da oposição conseguiram adiar a análise. Apesar do parecer favorável do relator Paulo Azi (União-BA), os deputados Lucas Redecker (PSD-RS) e Bia Kicis (PL-DF) pediram mais tempo de análise. Ainda não há prazo para a proposta voltar a tramitar.
Em relação à proposta do governo, como foi apresentada em regime de urgência, caso esse seja aprovado, o prazo para análise pelo Congresso Nacional é de 45 dias. De acordo com o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), o governo acredita que o projeto comece a vigorar em até três meses, contando a aprovação dos parlamentares e a sanção presidencial.
O que muda e como vai ser implementada
Com a aprovação do PL, a escala 6×1 chega ao fim no país, sendo substituída pela escala 5×2, quando o trabalhador tem direito a duas folgas semanais. Além disso, a jornada de trabalho diminui de 44 horas semanais para 40 horas semanais, evitando que o trabalhador seja obrigado a trabalhar mais horas para compensar a redução da escala.
O projeto também proíbe a diminuição de salários em razão da redução da escala.
Na prática, as propostas pelo fim da escala 6×1 visam maior qualidade de vida para os trabalhadores, que terão mais tempo para dedicar à saúde, à família, aos estudos e ao lazer. No ambiente de trabalho, a redução da escala também pode ter efeito positivo sobre a produtividade dos trabalhadores.
De acordo com o Dossiê 6×1, da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a redução da jornada de trabalho pode elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.
Além disso, ao contrário do argumento usado pelo mercado para se posicionar contrário ao fim da escala 6×1, um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a redução da jornada de trabalho teria um custo de menos de 1% em grandes setores, como indústria e comércio.
Em outros setores, o impacto seria um pouco maior, mas não capaz de gerar prejuízo aos empresários, de acordo com o estudo. Segundo o Ipea, para esses casos, seria necessária uma transição gradual para a nova jornada.