(SUBSERVIENTE) - Flávio Bolsonaro celebra medida de Trump que pode dar aval à interferência armada dos EUA no Brasil

História de Plinio Teodoro

Por História de Plinio Teodoro-
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Flávio Bolsonaro celebra medida de Trump que pode dar aval à interferência armada dos EUA no Brasil

Principal lobista da medida que pode dar aval a uma interferência armada dos EUA no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou o avanço do projeto de Donald Trump para classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

A medida, que pode ser anunciada nos próximos dias pelo Departamento de Estado, abre caminho para sanções econômicas e levanta preocupações sobre a possibilidade de operações militares norte-americanas que atinjam território brasileiro. Para isso, Trump conta com o aval da base bolsonarista no Brasil e chegou a enviar um assessor, que foi recebido por Flávio em maio do ano passado.

“O governo dos Estados Unidos deve classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Isso permite bloquear dinheiro, perseguir financiadores e sufocar essas facções. Mas fica a pergunta: por que o governo Lula fez lobby para tentar impedir isso? Vamos libertar o Brasil do narcoterrorismo”, escreveu o pré-candidato do clã Bolsonaro na rede X neste domingo (8), sem citar que o projeto dá aval a intervenção armada dos EUA no país.

Libertar milhões de brasileiros que vivem em áreas dominadas por narcoterroristas deveria ser A prioridade do governo federal. É revoltante que o Brasil, hoje, não tenha soberania dentro de seu próprio território.
Mas Lula prefere não desagradar àqueles que comemoram sua eleição… pic.twitter.com/0IYLRaLqaB

— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) March 8, 2026

Em outubro passado, Flávio chegou a ser alvo de um pedido de prisão por pedir a Pete Hegseth, secretário da Guerra do governo Donald Trump, para bombardear “barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara”.

O filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) fez a publicação em inglês, compartilhando o vídeo divulgado por Hegseth que mostra um dos dois bombardeios feitos pelos EUA a barcos em águas internacionais no Pacífico, nas proximidades da Colômbia.

“Que inveja”, diz Flávio Bolsonaro na publicação em que pede ao secretário da Guerra de Trump para atacar embarcações dentro do território brasileiro.

“Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, convida o senador.

How envious! I heard there are boats like this here in Rio de Janeiro, in Guanabara Bay, flooding Brazil with drugs.
Wouldn't you like to spend a few months here helping us fight these terrorist organizations? https://t.co/mT6mZ2wAvu

— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 23, 2025

Organizações Terroristas Estrangeiras

Informações divulgadas neste domingo (8) revelam que o processo técnico que sustenta a decisão de transformar PCC e CV em organizações terroristas já teria sido concluído dentro da administração norte-americana. Restariam agora etapas políticas e burocráticas para formalizar a inclusão das facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

A classificação implica uma série de medidas automáticas por parte de Washington. Entre elas estão o congelamento de ativos de integrantes das organizações sob jurisdição norte-americana, a exclusão dessas redes do sistema financeiro dos Estados Unidos e a proibição de qualquer forma de “apoio material” por cidadãos ou empresas do país.

Além das sanções financeiras, o enquadramento traz consequências diplomáticas e estratégicas. Ao considerar grupos criminosos como organizações terroristas, o governo norte-americano passa a tratar suas bases e estruturas operacionais como potenciais alvos legítimos de ações militares, inclusive fora de seu território — o que gera apreensão em autoridades brasileiras.

No Brasil, o tema já chegou ao Palácio do Planalto. O governo brasileiro foi alertado sobre o avanço da proposta e tenta reabrir canais de diálogo com Washington. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teria sido informado sobre a discussão durante agenda recente na capital norte-americana e buscava contato com o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar do assunto.

O assunto voltou à tona após Trump nomear, em fevereiro, o extremista Darren Beattie para atuar como “assessor sênior para políticas em relação ao Brasil”.

Aliado do clã Bolsonaro, Beattie é ligado a grupos neofacistas, que pregam a supremacia branca nos EUA, e ecoa os ataques de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a Alexandre de Moraes nas redes.

Em julho de 2025, Beattie provocou um incidente diplomático com o Brasil ao descrever, em uma publicação no X, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra (o ex-presidente brasileiro Jair) Bolsonaro”.

O Itamaraty chegou a convocar o diplomata dos EUA para explicar os ataques.

Lobby do clã Bolsonaro

Em maio deste ano, David Gamble, secretário do Departamento de Sanções de Donald Trump, desembarcou no Brasil para tentar convencer o governo Lula a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Coube ao secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sabburro, dar um sonoro “não” a Gamble, explicando que o Brasil tem um conceito diverso do tema, que não inclui as facções criminosas como terrorismo.

“O conceito de terrorismo é diverso, na medida em que estas organizações criminosas não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema, muito pelo contrário, que elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro. O Brasil hoje padece, como de fato vários países do mundo padecem, com esse problema das organizações criminosas”, explicou Sabburro.

Cerca de um mês antes do desembarque de Gamble, que se reuniu com Flávio Bolsonaro (PL), Jair Bolsonaro (PL) fez uma publicação confusa nas redes – possivelmente elaborada por Carlos Bolsonaro (PL-RJ) – com um vídeo da Jovem Pan News “noticiando” que o Ministério da Defesa de Israel teria identificado uma suposta ligação entre a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e o financiamento de “grupos terroristas” por meio de um banco digital. O material, no entanto, não especifica quais seriam esses grupos – nem apresenta provas.

No texto, Bolsonaro liga “o assassinato de opositores políticos, a supressão dos direitos das mulheres, o terrorismo e a execução de homossexuais por sua simples opção sexual” a “práticas comuns entre aqueles que enxergam a cultura ocidental como algo a ser eliminado”.

O texto nonsense, no entanto, tenta colocar o terrorismo na pauta para confundir e inflamar sua base mais radical, usando um enredo que conecta arbitrariamente Israel, “terroristas” e o PCC.

Em agosto passado, Eduardo Bolsonaro compartilhou uma entrevista de Marco Rubio ligando Nicolas Maduro, então presidente da Venezuela, ao Cartel de Los Soles, considerada uma organização narcoterrorista pelos EUA e sinalizou uma possível ação militar contra o país da América do Sul.

“O presidente [Donald Trump] deixou claro desde o início, especificamente sobre o Cartel de Los Soles, que qualquer grupo narcoterrorista que use espaço aéreo e águas internacionais para traficar drogas será confrontado”, afirmou.

A ameaça se concretizou em janeiro, com o sequestro de Maduro, que está preso e será julgado nos EUA, enquanto Trump negocia a retomada da exploração do petróleo venezuelano pelas petrolíferas transnacionais sediadas em Wall Steet.

Ao compartilhar o vídeo, o filho “02” de Bolsonaro afirmou que “ao mudar a identificação destes grupos de cartéis de drogas para terroristas, os EUA abrem um novo flanco de ações”, justamente o que Gamble tentou fazer no Brasil com o PCC e o CV.

Esse novo “flanco de ações” permitiria, segundo Eduardo, que o governo Trump desencadeasse ações militares em espaços marítimos e aéreos internacionais – como faz o Estado sionista de Israel para manter o genocídio em Gaza.

“Será um duro golpe contra os narcotraficante internacionais, que atualmente estão confortáveis em seus domínios em países como Venezuela, México e Equador”, diz Eduardo.

Em seguida, o filho de Bolsonaro mira o governo Nicolás Maduro, que é acusado pelo governo Trump de ser líder do “cartel narcoterrorista de Los Soles”, afirmando que a tensão pode “perfeitamente escalar para uma guerra”.

“E caso os narcoterroristas tenham êxito em resistir, a situação pode perfeitamente escalar para uma guerra, vide especificamente o caso da Venezuela que já é, nas palavras de Donald Trump, um narco-Estado, dominado por um governo ilegítimo que os EUA não reconhecem”, segue.

Ao final, Eduardo faz uma ameaça velada ao governo Lula, incitando que a possível ação militar de Trump na Venezuela possa se estender ao Brasil.

“Talvez estejamos presenciando o início do fim de Maduro como narcoditador venezuelano. Daí pergunto: de que lado o Brasil de Lula se posicionaria?”, indaga o filho de Bolsonaro, em tom de ameaça.

🇺🇸Ao mudar a identificação destes grupos de cartéis de drogas para terroristas, os EUA abrem um novo flanco de ações.
🇸🇻Tal qual já faz a Marinha de @nayibbukele, as forças americanas abordarão e abaterão navios e aeronaves com droga em espaços marítimos e aéreos internacionais.… pic.twitter.com/nYjl4CiAvE

— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) August 15, 2025
FONTE: https://www.msn.com