(O GOLPE DO 7 CONTRA 14) - Alcolumbre estaria decidido a suspender quebra de sigilo de Lulinha
Presidente do Senado, diante das provas de que houve fraude na contagem de votos na CPMI, deve determinar que aprovação não tem validade
- O presidente do Senado, Davi Alcolumbre - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
O cenário político em Brasília entrou em ebulição desde a quinta-feira (26) após uma controversa votação na CPMI do INSS. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já sinalizou a interlocutores e aliados do Palácio do Planalto que deve anular a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). O motivo por trás da provável decisão é uma denúncia gravíssima: fraude ostensiva na contagem de votos.
A manobra ocorreu durante a aprovação de um “pacotão” de requerimentos em votação simbólica. Nesse rito regimental, a dinâmica é simples e visual: o presidente do colegiado pede que os parlamentares favoráveis permaneçam como estão (sentados) e que os contrários se manifestem de pé. Se a maioria se levantar, a matéria é rejeitada. No entanto, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a comissão e é ligado à ala bolsonarista, ignorou o contraste óbvio no plenário e declarou a aprovação da matéria como se a oposição ao requerimento fosse minoritária.
O placar do absurdo: 14 contra 7
Logo após o encerramento da sessão, que terminou em quebra-pau, uma comitiva de parlamentares da base governista, liderada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), dirigiu-se à residência oficial de Alcolumbre para contestar o resultado. Segundo Pimenta, o erro de Viana não foi um equívoco de interpretação, mas uma manobra operada deliberadamente. As imagens que agora fundamentam o recurso são descritas como escandalosas: enquanto apenas 7 parlamentares permaneceram sentados para apoiar a quebra, exatamente o dobro, 14 parlamentares, levantou-se para registrar o voto contrário.
As evidências que estão sob análise da Presidência do Senado incluem as imagens da própria TV Senado, além de fotos e vídeos de celular que registram o momento exato da proclamação do resultado. O material expõe uma pergunta que ecoa nos corredores do Congresso: como os parlamentares de pé, em nítida superioridade numérica, poderiam ter sido derrotados em uma contagem visual básica?
Bastidores e próximos passos
Alcolumbre orientou que a contestação fosse protocolada formalmente na Presidência da Casa, anexando todo o material probatório que comprova a distorção do resultado. Informações de bastidor indicam que a Advocacia do Senado, a Polícia Legislativa e a Secretaria-Geral da Mesa já analisaram o conteúdo, e o parecer técnico reforça a tese de que houve uma quebra grave do rito regimental.
Embora a decisão oficial dependa de deliberações baseadas no Regimento Interno, o clima no Senado é de que a anulação é inevitável para preservar a integridade das votações. Paralelamente, Paulo Pimenta confirmou que levará o senador Carlos Viana ao Conselho de Ética, alegando que é “impossível” o presidente da comissão não ter notado a maioria esmagadora que se pôs de pé contra a medida. A expectativa agora gira em torno do anúncio oficial de Alcolumbre, que pode devolver o caso ao estágio anterior e impor uma derrota técnica à manobra da oposição na CPMI.