(Elos perigosos) - Banco Master: 6 fundos do caso contra o PCC estão ligados ao escândalo de Vorcaro
Investigados na Operação Carbono Oculto por suposta relação o crime organizado para lavar dinheiro, esses fundos foram identificados pelo BC como parte da fraude no Master
- Fachada do Banco Master, em SP - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Seis fundos de investimento suspeitos de integrarem o esquema bilionário de fraudes relacionado ao Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, também figuram como suspeitos de manter atividades ilegais com Primeiro Comando da Capital (PCC), promovendo lavagem de dinheiro, conforme apurado em 2025 na deflagração da Operação Carbono Oculto, pela Polícia Federal. A informação consta numa reportagem desta sexta (9) publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.
Esses fundos, com patrimônio combinado de R$ 102,4 bilhões, de acordo com registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), incluem o Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna. Todos sob administração da Reag, uma associada de longa data de Vorcaro.
O Banco Central (BC) os mencionou em uma denúncia enviada ao Ministério Público Federal em 10 de novembro, como parte das apurações que resultaram na detenção de Vorcaro uma semana após. Paralelamente, esses mesmos fundos surgem nas investigações da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela PF em agosto de 2025, com foco no braço financeiro do PCC e abrangendo cerca de 350 suspeitos, incluindo buscas na sede da própria Reag. Na ocasião, a empresa declarou que colabora com as autoridades e expressou confiança na elucidação dos fatos.
Entre os bens vinculados ao Astralo 95, destacam-se o Fundo Galo Forte, que concede a Vorcaro uma fatia no Clube Atlético Mineiro, de Belo Horizonte, além de uma residência usada por ele em Brasília, debêntures emitidas pela Reag e Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Master. O fundo também possui certificados físicos de ações do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008.
Outros relatórios do BC ao MPF destacaram irregularidades graves em operações entre julho de 2023 e julho de 2024 envolvendo o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, ambos estruturados pelo Master e pela Reag.
As acusações englobam a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos fictícios ao Banco de Brasília (BRB), operação que culminou na prisão preventiva de Vorcaro enquanto ele tentava deixar o país. O mecanismo incluía concessão de empréstimos pelo Master a empresas para inflar artificialmente o valor de ativos, que circulavam entre fundos no mesmo dia, elevando o patrimônio declarado.
Autoridades suspeitam que esses fundos sejam controlados por testas de ferro de Vorcaro, facilitando a lavagem de ao menos R$ 11,5 bilhões, recursos obtidos via CDBs de investidores e direcionados para os empréstimos.