(Ressentimento) - Ao atacar Wagner Moura, Mario Frias confirma: bolsonaristas são inimigos da arte
O deputado de extrema direita disparou ataques contra o protagonista de “O Agente Secreto”
Wagner Moura - Divulgação/ Neon
O ator Wagner Moura, que tem sido aclamado pela crítica internacional por sua atuação em “O Agente Secreto”, participou de uma roda de conversa organizada pela The Hollywood Reporter com atores que buscam a sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Durante o bate-papo, Wagner Moura relembrou as dificuldades impostas pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–2022) para impedir o lançamento de “Marighella”, longa dirigido por ele e que retrata a trajetória do líder guerrilheiro que atuou contra a ditadura brasileira.
“O Brasil, de 2018 a 2022, estava sob… eu sempre tenho dificuldade em caracterizar… foi um momento muito ruim. Uma censura. Não uma censura como durante a ditadura, mas uma censura cínica, em que eles tornam seu filme impossível de ser lançado. E quem estava contra o que estava acontecendo lá sofreu muitas consequências”, afirmou Wagner Moura.
Em seguida, o ator falou especificamente sobre o lançamento do filme: “Eu dirigi um filme sobre um cara que foi o líder da luta armada no Brasil, chamado ‘Marighella’, que estreou em Berlim em 2019 e foi censurado no Brasil.”
Com a campanha para o Oscar a todo vapor, Wagner Moura abriu o jogo sobre a censura enfrentada por “Marighella” e refletiu sobre como essa experiência impactou sua trajetória artística.
— PAPELPOP (@papelpop) January 2, 2026
Durante a roda de conversa da revista The Hollywood Reporter, divulgada nesta sexta-feira… pic.twitter.com/OgHo8IURsl
Ao tomar conhecimento da declaração de Wagner Moura, o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que foi secretário especial de Cultura no governo Jair Bolsonaro, acusou o ator de mentir, mas não rebateu o argumento central de que sua pasta impôs obstáculos para que Marighella fosse lançado no país.
Em um longo texto publicado em suas redes sociais, Mario Frias acabou, ao fim, confirmando a crítica de Wagner Moura. Em vez de contestar os fatos relatados pelo ator, o deputado partiu para ataques pessoais contra o protagonista de O Agente Secreto, afirmando que ele “apoia ditaduras sanguinárias”.
“O ator que fala neste vídeo é o mesmo que, há décadas, apoia as atrocidades de regimes socialistas na América Latina — regimes que atuam de forma muito semelhante ao da Venezuela. O mesmo ator que hoje discursa sobre censura é aquele que fez campanha política para Lula, um líder que apoia Nicolás Maduro, ícone da censura na América Latina”, escreveu Mario Frias.
Em outro momento, o deputado bolsonarista afirmou ainda que Wagner Moura é “sustentado pelo mesmo Estado que oprime, prende ilegalmente e mata o próprio povo. Alguém que afirma representar o povo, mas é financiado tanto por esse Estado quanto por elites financeiras que sustentam um regime covarde, autoritário e violento que há décadas assola a América Latina”.
Wagner Moura mente. E mente muito. Eu afirmo categoricamente que o filme dele JAMAIS foi alvo de censura.
— MarioFrias (@mfriasoficial) January 5, 2026
Mas preciso dizer algo com clareza: o ator que fala neste vídeo é o mesmo que, há décadas, apoia as atrocidades de regimes socialistas na América Latina — regimes que atuam… pic.twitter.com/skhUoQsKoO
Ao atacar Wagner Moura e acusá-lo, sem apresentar qualquer prova, de ser sustentado “por um Estado opressor”, Mario Frias apenas confirma que o bolsonarismo é inimigo da arte. No caso específico de Frias, ex-ator, a investida também expõe um componente de ressentimento diante do reconhecimento internacional alcançado por Moura com “O Agente Secreto”.
Com a repercussão, internautas resgataram uma publicação em que Mario Frias atacou publicamente o filme “Marighella”:
Por muito tempo a ANCINE serviu como caixa eletrônico para financiar os filmes panfletários da esquerda. O financiamento do Marighella, um terrorista abominável, foi o ponto auge dessa criminosa política propagandista. https://t.co/oFeDC0mCCv
— MarioFrias (@mfriasoficial) November 7, 202