Rússia e Irã condenam ataque dos EUA e declaram apoio à Venezuela; Espanha oferece mediação
Após o sequestro de Nicolás Maduro e bombardeios em Caracas, aliados da Venezuela condenam agressão dos EUA e alertam para risco de escalada regional
EUA atacam a Venezuela e sequestram Maduro - Foto: Reuters/Folhapress
A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3), que incluiu bombardeios em Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, provocou forte reação internacional.
Rússia, Irã e Cuba, aliados históricos e estratégicos de Caracas, condenaram duramente a ação militar norte-americana, classificada como ilegal, injustificável e uma grave violação do direito internacional. Na América do Sul, a Colômbia também se manifestou contra os ataques, enquanto a Espanha afirmou estar disposta a atuar como mediadora para uma solução pacífica da crise.
Aliados denunciam agressão e reafirmam apoio a Caracas
Em Moscou, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que os Estados Unidos cometeram um “ato de agressão armada” contra um Estado soberano e que não existe qualquer base legítima para justificar a operação ordenada por Donald Trump. Segundo a chancelaria russa, a ofensiva demonstra que a “hostilidade ideológica” de Washington prevaleceu sobre a diplomacia, colocando em risco a estabilidade regional.
“A ação dos Estados Unidos é profundamente preocupante e condenável. Os pretextos utilizados são insustentáveis”, afirmou o governo russo, reiterando solidariedade ao povo venezuelano.
O Irã reagiu em tom semelhante. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores iraniano condenou “firmemente” o ataque militar norte-americano e denunciou a violação da soberania e da integridade territorial da Venezuela. Teerã classificou a ofensiva como ilegal e mais um exemplo do desrespeito dos Estados Unidos ao direito internacional.
Cuba, aliada histórica de Caracas na região, foi ainda mais contundente. O presidente Miguel Díaz-Canel denunciou um “terrorismo de Estado” praticado por Washington contra o “bravo povo venezuelano” e contra toda a América Latina. O líder cubano apelou por uma reação imediata da comunidade internacional diante do que chamou de “ataque criminoso” promovido pelos Estados Unidos.
Colômbia pede ação da ONU
Na América do Sul, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, condenou os ataques “com mísseis” contra Caracas e ordenou a mobilização de forças militares na fronteira com a Venezuela. Petro também defendeu a convocação imediata da Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar da crise.
Como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU neste ano, o governo colombiano afirmou que levará o tema ao organismo internacional, alertando para o risco de escalada militar e desestabilização regional provocada pela ação unilateral dos Estados Unidos.
Espanha adota tom cauteloso e oferece mediação
A Espanha adotou um tom mais diplomático. A chancelaria espanhola declarou que o país está disposto a “oferecer seus bons ofícios” para facilitar uma solução pacífica e negociada para a crise, buscando evitar o agravamento do conflito e novas violações à soberania venezuelana.
As manifestações internacionais ocorrem após a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmar que o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama foram sequestrados por forças norte-americanas durante a ofensiva militar. O governo venezuelano decretou estado de comoção exterior e acusou os Estados Unidos de promover uma agressão imperialista com objetivos de mudança de regime e controle de recursos estratégicos do país.