Alexandre de Moraes solta nota e diz que teve duas reuniões com Galípolo e que nunca ligou para ele

O ministro do Supremo Tribunal Federal emitiu comunicado no qual esclarece as reuniões que teve com o presidente do Banco Central

Por Por: Marcelo Hailer-
5 Min

- Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu na noite desta terça-feira (23) um comunicado no qual afirma que teve duas reuniões com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para tratar exclusivamente da aplicação da Lei Magnitsky.

Diz a nota de Alexandre de Moraes:

Moraes: reuniões com Galípolo trataram “exclusivamente” sobre “aplicação da Lei Magnitsky”

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu as acusações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, de que ele teria se reunido com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, “para fazer pressão em favor do Banco Master”.

Em nota divulgada na manhã desta terça-feira (23), Moraes afirma que as reuniões com Galípolo e outras autoridades financeiras se deram para tratar “exclusivamente” das sanções pela Lei Magnitsky contra ele, e a esposa, Viviane Barci, cujo escritório de advocacia teria sido contratada por Daniel Vorcaro, dono do Master.

“Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”, diz o texto.

Moraes diz que, além de Galípolo, se encontrou presidentes e executivos de bancos públicos, como o Banco do Brasil, e privados, como o Itaú, e associações de financistas para tratar sobre o tema.

“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú”, inicia a nota.

Narrativas na mídia liberal

Apuração da jornalista Daniela Lima, divulgada pelo portal Uol nesta terça-feira (23), minimiza o alarde criado pela colega Malu Gaspar, do jornal O Globo, que no dia anterior afirmou que o ministro Alexandre de Moraes teria conversado por telefone e se encontrado ao menos uma vez com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, “para fazer pressão em favor do Banco Master”.

Segundo fontes ouvidas pela jornalista do Uol, as conversas entre Moraes e Galípolo “tinham como tema central a aplicação da lei Magnitsky sobre o magistrado, sua esposa e os negócios da família, além do impacto da sanção sobre os bancos que prestavam algum tipo de serviço a eles”.

De acordo com esses interlocutores “seria leviano” dizer que houve pressão de Moraes sobre Galípolo em favor de Daniel Vorcaro, do Banco Master, enquanto “o ministro e sua família viviam um cerco financeiro protagonizado pelos Estados Unidos”.

Na mesma linha, o jurista Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da Puc São Paulo, afirma na rede X que “o caso do Ministro Alexandre tem de ser visto com calma”.

“Galipolo negou que tenha tratado de algo relativo ao Banco Master com o Ministro. Vamos com calma, somos do direito, o Ministro é muito alvo. Se for verdade, o que imputam a ele é grave. Se não for também, imensa falta de ética e ofensa à honra e à democracia. Sugiro que devemos manter atenção ao que é apurado de fato. È um ministro do Supremo que enfrentou muito por conta da defesa da democracia. Moderação é o que temos de seguir por hora”, afirma Serrano.

O jurista ainda alerta para a guerra de narrativas criada pelos dois veículos da mídia liberal em torno do caso, baseadas em informações ditas em off – off records, jargão jornalístico para dar sigilo à fonte.

“Sem condenações a priori. Esse lance de fontes sigilosas que causam notícias que destróem e vendem muito já vivi. Em geral há imensa fraude do real”, diz Serrano.

O caso do Ministro Alexandre tem de ser visto com calma. Sem condenações a priori Esse lance de fontes sigilosas que causam notícias que destroem e vendem muito já vivi , em geral há imensa fraude do real . Galipolo negou que tenha tratado de algo relativo ao Banco Master com o…

— Pedro E. Serrano (@pedro_serrano1) December 23, 2025

Segundo a própria Malu Gaspar, a apuração se baseia em fontes do Banco Central, que ainda tem diretores remanescentes da gestão Jair Bolsonaro (PL), inimigo declarado de Alexandre de Moraes.

Indicados pelo ex-presidente, os diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diogo Guillen, avisaram Galípolo que deixarão seus cargos no final deste ano, quando terminam seus mandatos.

FONTE: https://revistaforum.com.br