MENU

COMECEM OS JOGOS: PSEUDOLIDERANÇAS E O PODER DE BARGANHA COM FIÉIS COMO AVALISTAS

Os bastidores da fé e o preço do poder nas eleições municipais de 2026.

Por Por: Jornalista Marcos Souza-
3 Min
COMECEM OS JOGOS: PSEUDOLIDERANÇAS E O PODER DE BARGANHA COM FIÉIS COMO AVALISTAS
Internet - Montagem deolhoalagoas.com.br
  • O jogo político começou antes do apito.

E os bastidores já mostram que fé, poder e oportunismo continuam andando de mãos dadas — um enredo conhecido, mas que a cada eleição ganha novos atores e velhos truques.

2026 ainda nem começou, mas o tabuleiro político em Alagoas já está montado. Figuras conhecidas e aspirantes ao poder ensaiam seus movimentos, cada qual disposto a tudo para manter — ou conquistar — espaço. E, como sempre, quando o jogo começa, as máscaras caem.

Não se trata dos grandes caciques, já velhos de guerra, mas dos supostos “fiéis escudeiros” que ostentam o título de liderança sem jamais tê-lo conquistado de fato. São personagens secundários, mas com ambições de protagonistas — movidos por promessas, favores e, claro, cargos.

O episódio mais recente vem de nossa linda e maravilhosa Maceió, capital dos alagoanos: um jovem herdeiro político, filho de conhecido líder evangélico, decidiu trocar de ninho (entenda-se sigla partidária) de olho nas eleições municipais de 2026. O gesto não passou despercebido e o resultado foi imediato — exoneração em massa de todos os apadrinhados(as) ligados ao clã. De uma só canetada, cinquenta nomes ganharam destaque nas páginas do Diário Oficial de Maceió, edição extraordinária dessa  segunda-feira (27).

A cena revela, mais uma vez, o casamento promíscuo entre religião e política. Desde os anos 1970, o avanço evangélico na arena pública se intensificou, atingindo o ápice em 2018, quando o voto religioso foi decisivo para eleger Jair Bolsonaro — hoje condenado a mais de 27 anos de prisão.

Mas o que se vê agora é um novo tipo de liderança, moldada nos púlpitos, mas movida – espero que não seja o caso - por interesses bem distantes dos valores cristãos que dizem defender. Quase sempre, são falsos moralistas, hábeis na oratória e especialistas em transformar fé em moeda de troca.

A manipulação é simples e antiga: um discurso messiânico aliado à ignorância política de boa parte do eleitorado, ainda vulnerável à retórica dos “escolhidos de Deus”. O profeta Oséias já alertava: “O meu povo perece por falta de conhecimento.”

No fim, os acordos se fecham entre poucos — sempre os mais próximos, de preferência, do mesmo sobrenome. E o fiel seguidor, aquele que aplaude e acredita, continua sem nada em troca, além de promessas vazias e orações convenientes.

Uma hora, a conta chega. E quando isso acontecer, que ninguém diga que não foi avisado.

O texto acima não representa a opinião do portal de notícias deolhoalagoas.com.br

Por: Jornalista Marcos Souza


FONTE: deolhoalagoas.com.br
  • Ir para GoogleNews
Tags »
Notícias Relacionadas »