China esmaga tarifaço de Donald Trump!

'A China demonstra como vale a pena investir em diplomacia ao invés de guerras', escreve o colunista Miguel do Rosário

Por Conexão China, com Miguel do Rosário-
7 Min

Presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em encontro durante reunião do G20 em 2019, em Osaka, no Japão 29/06/2019 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

A China derrotou de maneira impressionante o tarifaço imposto por Donald Trump. Os números do comércio exterior da alfândega chinesa, divulgados essa semana, revelam que o gigante asiático vem aumentando suas exportações, apesar das barreiras impostas pelos Estados Unidos. O comércio exterior da China em setembro de 2025 atingiu US$ 566,68 bilhões, marcando um aumento de 4,74% em relação ao mês anterior e um crescimento de 7,94% em comparação com o mesmo período do ano passado.

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Para uma análise mais aprofundada da evolução do comércio chinês, eliminando os ruídos da sazonalidade, a média móvel de 12 meses é a metodologia mais indicada. Nesse sentido, a corrente de comércio da China (soma de exportações e importações) atingiu uma média mensal de US$ 524,89 bilhões em setembro de 2025. O acumulado dos últimos 12 meses (outubro de 2024 a setembro de 2025) confirmou um recorde, totalizando US$ 6.298,73 bilhões.

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É notável que esses resultados foram alcançados mesmo com a significativa redução do comércio com os Estados Unidos, que atingiu o menor nível em décadas. Na média móvel de 12 meses, a participação da corrente de comércio da China com os EUA no total foi de 8,08%.

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A estratégia chinesa para contornar o tarifaço de Donald Trump incluiu o fortalecimento das relações comerciais com outros blocos econômicos. Em setembro, a corrente de comércio da China com os BRICS e a ASEAN cresceu, representando 10,11% e 15,91% do total, respectivamente.

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Em relação ao Brasil, especificamente, a nossa corrente de comércio com a China em setembro de 2025 atingiu 3,27% do total, marcando o aumento expressivo da participação brasileira no comércio total chinês. As exportações brasileiras de carne e café para a China apresentaram um excelente desempenho em setembro, contribuindo para que o Brasil também superasse as agressões tarifárias impostas pelos Estados Unidos.

Em setembro de 2025, a China importou 143,12 milhões de dólares em café, representando um aumento impressionante de 119,11% em relação a setembro de 2024, quando havia importado 65,32 milhões de dólares. Da mesma forma, as importações de carne bovina congelada atingiram 1,6 bilhão de dólares, um crescimento robusto de 72,93% comparado aos 962,09 milhões de dólares importados no mesmo mês do ano anterior. Esses números, considerando produtos de todas as origens e não apenas do Brasil, refletem a dinâmica do comércio chinês com o mundo.

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As importações chinesas de petróleo, contudo, têm apresentado queda. Em setembro de 2025, o volume importado foi de US$ 23,83 bilhões, uma redução de 7,50% em relação a setembro de 2024, quando havia importado 25,76 bilhões de dólares. Esse movimento pode indicar o início de uma transição energética no país, impulsionada pelo aumento da produção interna de energia limpa, como a nuclear, eólica e solar. Em 2024, a China adicionou 300 GW de capacidade de energia renovável, representando 50% da nova capacidade global. A União Europeia (UE) mantém-se como uma parceira comercial relevante para a China, respondendo por 12,92% da corrente de comércio chinesa na média móvel de 12 meses.

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Considerando apenas as exportações chinesas, setembro de 2025 também se destacou como o melhor mês da história do país, com US$ 328,57 bilhões em exportações. Esses números demonstram que os Estados Unidos, ao implementar o tarifaço, inadvertidamente impulsionaram a China a reduzir drasticamente sua dependência comercial do consumidor americano. As sanções tecnológicas, que visavam restringir o acesso chinês a semicondutores e chips avançados, também forçaram a China a desenvolver sua própria produção tecnológica interna. Notícias recentes indicam que o governo chinês orientou suas empresas a não mais adquirir chips da NVIDIA, a principal produtora de chips de IA dos Estados Unidos. O tarifaço punitivo e unilateral de Donald Trump contra a China, portanto, acelerou o processo de autonomia comercial e tecnológica do país.

É relevante analisar os dados do comércio exterior chinês em relação à sua população e ao seu PIB. Contrariando a narrativa ocidental de que a China é um país excessivamente focado em exportações, a participação das exportações no PIB chinês é menor do que na Europa, e não muito diferente da de outros países do Sul Global. Em termos per capita, a corrente de comércio da China é de US$ 4.449, enquanto a da União Europeia (UE) é de US$ 19.777 e a dos EUA é de US$ 16.100. A participação das exportações no PIB da China é de 19,45%, inferior à da UE (22,86%), mas superior à dos EUA (6,92%).

Acusar a China de exportar demais é, na realidade, uma posição preconceituosa. O Ocidente, representado pela UE e pelos EUA, pode exportar proporcionalmente muito mais à sua população do que a China. Essa crítica revela um duplo padrão, onde o Ocidente se permite exportar em escala muito maior per capita, enquanto questiona o desempenho comercial chinês.

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Considerando apenas as exportações chinesas, setembro de 2025 também se destacou como o melhor mês da história do país, com US$ 328,57 bilhões em exportações. Esses números demonstram que os Estados Unidos, ao implementar o tarifaço, inadvertidamente impulsionaram a China a reduzir drasticamente sua dependência comercial do consumidor americano. As sanções tecnológicas, que visavam restringir o acesso chinês a semicondutores e chips avançados, também forçaram a China a desenvolver sua própria produção tecnológica interna. Notícias recentes indicam que o governo chinês orientou suas empresas a não mais adquirir chips da NVIDIA, a principal produtora de chips de IA dos Estados Unidos. O tarifaço punitivo e unilateral de Donald Trump contra a China, portanto, acelerou o processo de autonomia comercial e tecnológica do país.

É relevante analisar os dados do comércio exterior chinês em relação à sua população e ao seu PIB. Contrariando a narrativa ocidental de que a China é um país excessivamente focado em exportações, a participação das exportações no PIB chinês é menor do que na Europa, e não muito diferente da de outros países do Sul Global. Em termos per capita, a corrente de comércio da China é de US$ 4.449, enquanto a da União Europeia (UE) é de US$ 19.777 e a dos EUA é de US$ 16.100. A participação das exportações no PIB da China é de 19,45%, inferior à da UE (22,86%), mas superior à dos EUA (6,92%).

Acusar a China de exportar demais é, na realidade, uma posição preconceituosa. O Ocidente, representado pela UE e pelos EUA, pode exportar proporcionalmente muito mais à sua população do que a China. Essa crítica revela um duplo padrão, onde o Ocidente se permite exportar em escala muito maior per capita, enquanto questiona o desempenho comercial chinês.

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Essa falsa narrativa é apenas uma forma de enganar a população para que aceite cortes sociais e o aumento da desigualdade no continente.

Enquanto isso, a China demonstra como vale a pena investir em diplomacia ao invés de guerras. Se os Estados Unidos e a Europa tivessem aplicado os trilhões de dólares despendidos nas guerras imperiais das últimas décadas em infraestrutura, como uma malha ferroviária de alta velocidade, suas empresas desfrutariam de maior produtividade e estariam muito mais instrumentalizadas para fazer uma competição saudável e pacífica com a China.

*Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

FONTE: https://www.brasil247.com