O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania nacional e afirmou que “intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o pretendido”, em referência à crescente tensão entre os Estados Unidos (EUA) e a Venezuela, após o governo estadunidense sinalizar a possibilidade de ações militares diretas contra o regime de Nicolás Maduro.
“Na América Latina e Caribe, também vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente livre de armas, de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”, afirmou Lula durante a cerimônia de entrega de Cartas Credenciais, realizada na manhã desta segunda-feira (20).
O posicionamento do presidente reforça a linha histórica da diplomacia brasileira, que defende o princípio da não intervenção e da solução pacífica de controvérsias. E busca, ainda, colocar panos quentes na situação que, se ocorresse, seria em um dos vizinhos do Brasil, possibilitando um impacto interno em caso de guerra.
Lula ainda destacou que, no que depender do Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Itamaraty, todos os diplomatas serão bem tratados, com foco na manutenção de relações cordiais, comerciais e pacifismo. Ele tomou tempo para destacar que não haveria negacionismo.
“Vocês serão tratados e terão a atenção do Itamaraty como se fossem amigos nossos há muitos anos, porque o que nós queremos é mostrar ao mundo que nós precisamos fortalecer o multilateralismo. E o multilateralismo é baseado na boa relação cordial, comercial, econômica e sobretudo uma relação pacífica, sem ódio, sem negacionismo e sem ferir o princípio básico da democracia e dos direitos humanos”, completou o presidente, durante seu discurso aos diplomatas que recém tomavam posse no Planalto.
Foram 28 embaixadores que tomaram posse por meio da entrega das cartas credenciais, sendo pertencentes aos seguintes países: El Salvador, Albânia, Reino do Camboja, Reino da Tailândia, República Unida da Tanzânia, República da Belarus, República do Quênia, Sultanato de Omã, República Dominicana, Burquina Fasso, Bangladesh, Mauritânia, Sudão, República do Senegal, Uruguai, República Democrática do Congo, Confederação Suíça, Países Baixos, Reino da Bélgica, Emirados Árabes Unidos, Irlanda, República da Zâmbia, Áustria, República da Finlândia, Malásia, República de Gana, República Libanesa, e a República Democrática Socialista do Sri Lanka.
Entenda a tensão entre EUA e Venezuela e, de quebra, com a América do Sul
O comentário de Lula ocorre em meio à escalada de declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que, em plena corrida eleitoral, prometeu “libertar o povo venezuelano do comunismo” caso voltasse à Casa Branca. Ele retornou ao governo e, agora, a Casa Branca prepara uma guerra com a Venezuela sob protestos de seus cidadãos.
O embate retoma um velho padrão de tensão hemisférica, no qual os Estados Unidos justificam sanções e possíveis intervenções na Venezuela com base em argumentos de defesa da democracia e dos direitos humanos. Desde 2019, quando Washington reconheceu Juan Guaidó como presidente interino, a relação com Caracas se deteriorou. Historicamente, o partido Republicano, do qual Donald Trump faz parte, costuma focar suas ações na América do Sul, enquanto o Democratas foca sua visão no Oriente Médio.
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Presidente Lula durante cerimônia de entrega de Cartas Credenciais