O QUE SERÁ QUE TRAMAM? - A nova cartada de Flávio Bolsonaro após prisão de "ladrões" da casa de sua mãe
Tratando-se do Rio, governado por um fantoche de seu pai e onde a família tem grande controle sobre a polícia, declaração de senador pode sugerir alguma “confissão”
Créditos: Ton Molina/Fotoarena/Folhapress
A Polícia Civil do Rio de Janeiro anunciou neste sábado (30) que os suspeitos de terem participado do suposto assalto, em Resende (RJ), à casa de Rogéria Bolsonaro, mãe dos políticos extremistas Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) e Carlos Bolsonaro (PL), respectivamente senador, deputado federal e vereador carioca, e também ex-esposa de Jair Bolsonaro (PL), foram presos. Os avós maternos idosos dos irmãos radicais também supostamente estavam no local no momento do crime, que teria ocorrido supostamente no último domingo (24).
Sem pestanejar, Flávio Bolsonaro correu para as redes sociais para falar da operação que resultou na prisão dos tais criminosos e, como não poderia deixar de ser, lançou uma estranha teoria que acende todos os alertas para uma possível armação política.
“Um trabalho de excelência da Polícia Civil, que continua fazendo diligências atrás de outros bandidos que também participaram desse crime, que ainda tá soando muito estranho pra mim. Tenho a convicção de que não foi um simples assalto, mas as investigações é que dirão”, postou o senador.
Não precisa ser muito inteligente para perceber que a mensagem sugere algum direcionamento nas “investigações” do suposto assalto. Num estado como o Rio de Janeiro, onde o governador é um fantoche que se comporta com total submissão ao líder máximo da extrema direita, e que tem suas forças de segurança sob grande controle do clã ultrarreacionário, uma “confissão” envolvendo contornos políticos saindo da boca dos “assaltantes” seria amplamente usada para turbinar a bolha bolsonarista nas redes, servindo de combustível para novas acusações contra o governo Lula (PL), o Supremo Tribunal Federal e, em especial, o ministro Alexandre de Moraes.
Nas redes, aliás, seu irmão Eduardo, o traidor lesa-pátria que está foragido nos EUA para patrocinar agressões e sabotagens ao Brasil, já vem propagando tais teorias esdrúxulas sobre as motivações para o suposto assalto, o que é amplamente compartilhado por seus seguidores mais radicalizados e fanáticos.
Farsas do tipo não são raras no mundo político brasileiro. Entre os inúmeros casos, um sempre é lembrado como o mais emblemático: o sequestro do empresário bilionário Abílio Diniz, então dono do Grupo Pão de Açúcar, em dezembro de 1989, dias antes da primeira eleição direta ocorrida no país desde a instalação da ditadura militar iniciada em 1964.
Solucionado uma semana depois, o crime foi usado para atacar a esquerda. Assim que localizaram os sequestradores, a Polícia Civil de São Paulo fez fotos num dos cômodos da casa usada como cativeiro após espalhar camisas do PT e material eleitoral de Lula, para criar uma fantasiosa “notícia” de que esses bandidos tinham alguma relação com partido.